Como o Poder das Ideias Está Libertando Mentes no Brasil

Estamos testemunhando atualmente nada menos do que a libertação de milhões de mentes brasileiras.

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É uma tarde de sábado, 7 de julho de 2018. O lugar é Salvador, uma cidade no litoral do Brasil, a terceira maior capital do país. É o começo das férias do meio do ano.

Um grupo de cerca de 20 estudantes universitários entre 17 e 25 anos se reúne em uma livraria para discutir economia e política. Sentados no chão, eles estão segurando cópias de Economia em Uma Lição, A Lei, "Eu, o Lápis.” Alguns estão vestindo camisetas dizendo “Menos Marx Mais Mises!” Eles se encontram apenas uma vez por mês pessoalmente, mas diariamente usam um grupo do WhatsApp chamado “Frente Anti-Estatista da Bahia”, onde centenas de membros trocam mensagens em debates acalorados. O que todos eles têm em comum? Um profundo apreço pela liberdade e uma conexão com a FEE.

A doutrinação aqui é tão grande, que até as telenovelas transmitem valores e ideias coletivistas.

Dez anos atrás, quando eu tinha a idade deles, essa reunião não era sequer imaginável. O Brasil é talvez o país do mundo ocidental com o maior número de dissertações e teses de doutorado marxistas publicadas. A doutrinação aqui é tão grande, que até as telenovelas transmitem valores e ideias coletivistas. Ser crítico ao capitalismo é uma condição sine qua non para alguém ser considerado um ser humano do bem. Não é exagero dizer que muitos jovens da minha geração tiveram o rosto de Che Guevara tatuado em seus braços.

Mas não há motivos para pânico. Fico feliz em informar aos apoiadores da Fundação para Educação Econômica que, em parte graças a vocês, as coisas estão mudando! Estamos testemunhando atualmente nada menos do que a libertação de milhões de mentes brasileiras.

O Papel da Internet e a Presença da FEE no Brasil

Grande parte dessa emancipação se deve à internet e sua capacidade de viralizar conteúdo. Desde que um grande número de pessoas começou a ter acesso à internet de banda larga no país ao longo da última década, os mitos marxistas e outros mitos estatistas, que costumavam ser incontestáveis, se mostraram errados diante de novas ideias e conceitos.

Apresentadas por organizações como a FEE dos EUA e um número crescente de grupos brasileiros bastante ativos, essas contribuições deram origem a um movimento libertário forte no Brasil.

“Depois dos EUA, o Brasil é o primeiro país do mundo em quantidade de republicações, reimpressões, traduções e distribuição de nosso conteúdo,” comenta o presidente da FEE, Lawrence Reed. Ele fará sua quinta e sexta visitas ao país para falar, respectivamente, em Santa Maria no dia 9 de novembro, e depois em Florianópolis, no dia 15 de março de 2019.

Lisiane Gomes, do Instituto Atlantos na cidade de Porto Alegre, no sul do Brasil, escreveu um artigo no início deste ano para o site da FEE sobre um heroína brasileira, Carlota Pereira de Queiroz. Em uma conversa recente comigo, Lisiane observou:

O movimento libertário levou algum tempo para ser reconhecido pelos brasileiros. Começando em pequenos grupos que nunca desistiram de espalhar as ideias, o libertarianismo finalmente chegou às universidades, e uma forte troca de informações começou por toda parte. Um dos maiores problemas no Brasil é a falta de discussão de qualidade sobre temas como economia, filosofia e história. As universidades ainda são locais de ideias anacrônicas, mas temos alguns pontos de apoio agora. Instituições como a FEE trouxeram informações de qualidade para todos, tanto na mídia impressa quanto via conteúdo e cursos online, esclarecendo a discussão e abrindo caminho para um futuro promissor para a liberdade.

Além da atuação on-line por meio de artigos, cursos e seminários na web, a FEE também fez a diferença no Brasil por meio de parcerias com instituições locais que frequentemente enviam estudantes brasileiros para sua sede em Atlanta, Geórgia, e para outras cidades nos EUA onde a FEE realiza eventos. Apenas nos últimos anos, um total de 97 estudantes do Brasil foram a algum seminário da FEE, incluindo seis participantes na edição 2018 da FEEcon, em Atlanta. Além disso, dois estudantes brasileiros já foram estagiários em Atlanta. Um deles, Pedro Mutzig, estudante de Direito de Vitória, no litoral do Espírito Santo, ressalta a importância da organização para seu desenvolvimento educacional e profissional:

A FEE foi crucial na minha formação acadêmica e profissional. Em julho de 2016, tive o meu primeiro contato com a fundação quando fui ao seminário Economic Growth, Bubbles & The Illusion of Prosperity em Fort Myers. Nessa experiência tive a oportunidade de conhecer e conversar sobre as ideias da liberdade com estudantes e scholars brilhantes. Seis meses depois, em dezembro de 2016, tive a oportunidade de estagiar na FEE. Foi outro momento incrível, que me proporcionou aprendizados, quando puder atuar no planejamento dos seminários e da FEEcon, além de traduzir o curso Economics in One Day para o português. A FEE é, sem dúvidas, uma das instituições liberais de maior impacto na vida de estudantes brasileiros, tendo proporcionado oportunidades internacionais para jovens como eu por meio de bolsas de estudo. São instituições como a FEE que moldam e transformam indivíduos em ativos defensores de uma sociedade mais livre.

A propósito, Pedro é outro exemplo de um jovem brasileiro que teve a oportunidade de publicar no popular site da FEE (que atrai mais de um milhão de visitantes únicos por mês). Em setembro, ele escreveu um artigo sobre um herói da liberdade do nosso país, Domingos José Martins.

Outro notável brasileiro defensor da liberdade impactado pela FEE é Fábio Ostermann, cientista político recentemente eleito deputado estadual no Rio Grande do Sul. Lawrence Reed diz:

Eu tive o privilégio de participar, há alguns anos, de um painel no Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, com meus amigos Fábio e Hélio Beltrão do Instituto Mises – Brasil, dois dos mais eloquentes defensores da liberdade na América do Sul. Esses são dois homens a quem o movimento da liberdade no Brasil deve muito.

Ostermann se lembra de como a FEE iluminou seu caminho para as ideias de liberdade e deu a ele a motivação para liderar iniciativas semelhantes no Brasil:

A FEE foi um dos meus primeiros contatos com o movimento libertário americano e, especialmente, com a ideia de que poderíamos ter, aqui no Brasil, um movimento genuíno e coerente para ir além dos pequenos grupos. Eu participei da Freedom University da FEE em 2008 e do Advanced Austrian Seminar em 2009. A FEE foi responsável por me motivar ainda mais a tentar fazer a diferença aqui no Brasil promovendo as ideias de liberdade. Eu sou muito grato à FEE e ao Lawrence Reed, também como toda a sua equipe.

Outro aluno da FEE, Adriano Gianturco agora ensina como professor de Ciência Política no Instituto Brasileiro de Capitais do Brasil (IBMEC). Junto com Luciana Lopes, ele também publicou no FEE.org. No ano passado, ele escreveu um artigo intitulado “Por que os brasileiros estão exigindo ‘Menos Marx, Mais Mises.’” Também ex-aluno recente da FEE, Pedro Tavares, é atualmente presidente do Instituto de Formação de Líderes de Santa Catarina, que está patrocinando a palestra do Sr. Reed de março de 2019 em Florianópolis.

Qualificando a Educação no Brasil

Um dos maiores problemas no Brasil é a baixa qualidade da educação. E isso deve ser atribuído não apenas aos investimentos contraproducentes feitos pelo governo em suas escolas monopolistas, mas também a como a noção mesmo de educação foi pervertida pelos chamados intelectuais “progressistas.” Isso afeta o desempenho dos professores na sala de aula, bem como os resultados dos alunos.

Como coordenadora do movimento Educação sem Estado, Anamaria Camargo, de Salvador, no meu estado da Bahia, diz que ser um educador libertário no Brasil não é uma tarefa simples. Segundo ela, a mentalidade dos profissionais é a tarefa mais difícil de ser abordada:

A maioria dos brasileiros envolvidos profissionalmente na educação tem sido profundamente doutrinada por "progressistas", para quem a noção de educação sem interferência do governo é um anátema. De fato, essa percepção é parte de uma visão mais ampla segundo a qual, sem o Estado em todas as áreas importantes da vida humana, as pessoas são incapazes de agir em seu próprio nome. Não surpreende que todos os governos brasileiros tenham feito o melhor para promover e manter essa visão de dependência estatal através da certificação obrigatória de professores, baseada em um currículo nacional imposto até mesmo em escolas particulares, através de um quase monopólio de escolas públicas e através de rígidas regulamentações.

Ela acrescenta que a situação tem melhorado ultimamente, graças à influência da FEE no país:

Este cenário infeliz tem, no entanto, mudado aos poucos. Um dos principais impulsionadores dessa mudança é a Fundação para Educação Econômica. Através do compartilhamento de artigos da FEE sobre o tema da educação, muitos professores e planejadores de educação encontraram, pela primeira vez, evidências cientificamente comprovadas de práticas educacionais bem-sucedidas sem a interferência do governo. Estou muito esperançosa de que a solução para a doutrinação na educação possa ser efetivamente desafiada se tornarmos informações confiáveis mais acessíveis a todos. Nesse sentido, há um espaço muito mais amplo para a FEE nos ajudar a preencher.

Um exemplo de faculdade privada no Brasil com uma perspectiva pró-liberdade é a Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo, fundada em 1870 por um missionário americano de ascendência escocesa. Com mais de 40.000 estudantes de graduação e pós-graduação e campi adicionais em Recife, Rio de Janeiro, Barueri, Brasília e Campinas, a Mackenzie também administra uma escola particular de ensino fundamental e médio para outros 4.000 alunos. Há dois anos, foi inaugurado o Centro Mackenzie de Liberdade Econômica no campus de São Paulo, dirigido pelo Dr. Vladimir Fernandes Maciel. Um dos primeiros oradores que o Centro trouxe ao campus foi o presidente da FEE, Lawrence Reed.

Traduções Para o Português

A influência da FEE em nosso país de quase 210 milhões de pessoas também pode ser medida por alguns números impressionantes. Surpreendentemente, Lawrence Reed conta com mais de 40.000 fãs brasileiros em sua página pessoal no Facebook e os números sobem rápido. Em seu site pessoal, os brasileiros só perdem para os americanos. Outros 6.500 brasileiros são fãs da página da FEE no Facebook, e milhares de outros acompanham a organização em várias outras mídias sociais.

Os tradutores locais também trabalham em conjunto com a FEE para promover as idéias de liberdade em nossa língua. Matheus Pacini da Transgreat refere-se às traduções e legendagens que ele já fez para a FEE:

No Brasil, traduzi mais de 200 artigos da FEE para o português, além de muitos vídeos. A Sociedade Aberta está republicando os artigos originalmente publicados no Libertarianismo.org (agora fechado). Há alguns publicados no site da Atlantos também. Atualmente, estou legendando alguns vídeos da série Common Sense Soapbox da FEE e republicando-os no canal do Objetivismo Brasil, depois de terminar a tradução de quatro cursos FEE e o eBook “The Essential de Henry Hazlitt.

Uma Fonte de Luz em Todo o Mundo

João Pedro Machado Vieira, presidente do Instituto Atlantos, sabe por experiência própria como é importante para think tanks no Brasil contarem com parceiros estrangeiros como a FEE. Ele diz que a inspiração trazida pela FEE ao país criou aqui uma nova fonte de luz:

Como o grande economista brasileiro Roberto Campos costumava dizer, o Brasil sempre navegou em um barco guiado por uma luz na popa. Leonard Read (estimado fundador da FEE) disse uma vez que a escuridão é para a ignorância o mesmo que a luz é para a iluminação; e da mesma forma que a escuridão não tem absolutamente nenhuma resistência à luz, a ignorância não tem resistência à iluminação. Em sua palestra, enquanto segurava uma vela no meio da escuridão, Read desafiou o público a criar novos pontos de luz distribuindo, comercializando ou vendendo a vela. A única maneira de espalhar essa iluminação é criar novas velas, novas fontes de luz em todo o mundo. Por 72 anos, a FEE tem seguido o ensinamento de Read ao criar novas velas (ou "luzes piscantes", como seu atual presidente gosta de dizer). A FEE foi certamente responsável por criar novos pontos de luz no Brasil—e eles estão devagar, mas com certeza, sendo colocados na proa do barco.

Após décadas de hegemonia esquerdista/estatista nas artes, cultura e na Academia, o Brasil finalmente começou a questionar tal dominação. Estamos nos conectando com grupos como a FEE e criando fontes para ajudar na nossa libertação de um longo monopólio de ideias. A FEE pode orgulhosamente dizer que desempenhou um papel primordial nesta jornada, influenciando, inspirando, educando e conectando futuros líderes com os princípios econômicos, éticos e legais de uma sociedade livre. Nós brasileiros somos muito gratos por esta colaboração. Esperamos que a parceria esteja apenas começando.

Muitos dos artigos da FEE traduzidos para o português agora podem ser encontrados aqui.

A FEE organizou a tradução de dois eBooks para o português, os quais podem ser baixados aqui:

O presidente da FEE, Lawrence Reed, escreveu este artigo de maio de 2017 sobre a situação no Brasil e, em agosto deste ano, conduziu esta entrevista com três candidatos libertários para a Câmara dos Deputados, dois dos quais (Marcel van Hattem e Kim Kataguiri) foram eleitos nas eleições de outubro de 2018.

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